Migalhas de pão

Aos pedacinhos parece mais…

Praxe November 8, 2007

Filed under: Rústico — filipe macieira @ 2:32 pm

Estava um calorzinho mesmo agradável. Além disso fazia vento, o que era bom para espantar o suor. Mas o vento não era suficiente para ela põr a camisola. Notava-se não queria. Já devia vir assim de casa e não queria estragar a imagem. Estava lá no meio, recatada, a olhar para o chão, com aquele sorriso sempre quase quase quase a aparecer no meio da cara (mas apenas nos cantinhos da boca). Na altura parecia que estava a pensar em coisas de meninas. Se calhar, e pensando agora em retrospectiva, talvez estivesse a pensar num rapaz. Mas pronto, já lá vai.

- Olhos no chão!

Pois é, mas ela continuava a olhar a rir-se. E de vez em quando trincava a língua. Que menina marota. Devia apanhar um beijinho. Com aquele cabelo a ondular, com aquele lábio a ser trincado, com aquele olhar tão cativante, era o que apetecia fazer. Mas pronto. Ela era assim.

- Olhos no chão!

Mais uma vez. E agora, bem pertinho de mim, assim como que a fugir à multidão de crianças para ter um tempo para poder deixar cair a máscara e voltar à terra:

- Fogo, são uns chatos…

- É…

(aqui via-se o meu interesse em falar com a personagem)

- E aquela p*** já me está a chatear os nervos…

- Qual?

(enquanto espreitava por cima do ombro de um outro personagem, mas alto e igualmente mais gorduroso)

- Aquela

- Ah… aquela…

E foi assim que eu a vi pela segunda vez. Ainda não sabia o nome. O primeiro nome que soube foi aquele nome feio. Por isso é que às vezes há tendência para voltar a ele…

 

Rude do Campo August 27, 2007

Filed under: Rústico — Filipa Andrade @ 11:06 pm

O Papá é rude do campo

Mas nunca teve sarampo.

A sua pele é bem rugosa,

E em certas zonas gordurosa.
 A sua unha do pé

Contou-me certo dia

Que teve por companhia

Uma micose bebé.
 No cabelo tem caspinha

Mas não é da branquinha!

Já pensei para mim (fechando o sobrolho)

“Será algum piolho?”
As costas são dolorosas

Como espigas sabogosas

Mas nas pernas não depiladas

Faz rastas concentradas.
Como o rabo acompanha as pernas

O homem parece um urso.

Mas compensa este problema

Com veet creme pelo dorso.
Por hoje já chega de rimas

Está um resumo bem feito.

So falta falar da outra zona rapada

Para ser perfeito.

 

Nanananana… August 11, 2007

Filed under: Rústico — filipe macieira @ 7:22 pm

Amor, tenho uma música nova…

Oh, não… Foste tu que inventaste?

Sim!

Oh, então é que não quero mesmo ouvir!

Mas é tão gira! Vê, vê!

Não é ver, é ouvir, e já disse que não quero ouvir…

Olhooooooooooooooooos de águaaaaaaa, a liberdade ecoa nos meus olhooooooos!… Ela grita em gonzos de repolhos!… E, loucura, uma tonsura, são trambolhos, os meus olhos… Porque, porque, tu hás-de ter liberdaaaaaade para lutaaaar!… Liberdaaaaade para ganhaaaaa!… E, acima de tudooooo… Liberdade p’ra ensinar… E, também, ser ensinado, num Ensino Superior, que é educador, e que é ganhador, e que é tradutor, e que é lenhadooooooor!

Não! Não! Não, não, não, pára, pára, por favor, por favor!… Isso é horrível!

Oh, não é nada; é lindo! Fui eu que inventei!

Que totice… Cantas tão mal…

Canto mal? Isso lembra-me uma música que inventei acerca da fraca qualidade contoriesca de muitos músicos…

Oh, não, não, por favor, por favor, não, não!

A qualidaaaaade! A qualidadeeeeee… não, não se dá, não, a qualidade não se dá, a qualidade é uma pá, uma pá, uma pá de qualidade, toma cá dá cá! E os que dizem o que canto, na música vêem bem, a sublime leveza das palavras, das maravas, das…

Chega! Por favor…

Ó amor, mas eu gosto… [carinha triste]

Mas é mesmo muito mau…

Deixa o bebezinho cantar só mais uma música, sim? Olha, olha: can’t find a better maaaaan, tararararan, tararararan, tararararan, tararararararararan! She loves hiiiiim, she doesn’t want to be this waaaay, she feeeeeds hiiiiim, yeah!, that’s why she’ll be back agaaaaaaaaain… can’t find a better man, can’t find a better maaaaan, nananananan…

[Pode ser sempre assim, só parvo, só palermice? Se eu deixo de ser parvo fico crescido; e quanto fico crescido magoo-te; eu não quero. Sim?]

 

Ó Migalhinhas… June 17, 2007

Filed under: Rústico — filipe macieira @ 3:09 am

Pareces o Miccoli antes de todos os jogos do Benfica: estás em dúvida.

Vá, pede a mamã que lhe passem essas coisinhas da cabeça. Tu havias de nascer muito bonito, igualzinho a ela. Vais ver que lhe passa.

 

A primeira conversa ‘de homem para homem’ com o Migalhinhas February 13, 2007

Filed under: Rústico — filipe macieira @ 12:54 am

Falou do gajo a dizer que tinha gostado dele e que era um giraço. E ainda me atirou a coisa à cara, que podia perguntar à Tia Luísa, que ele era o máximo nas RGA’s, que era loiro, que ainda não andava comigo. Imagina tu, pá, o desplante, dizer-me a mim, namorado há tanto tempo, que o tipo lhe era do agrado!

Claro que eu não gostei. Como podia ter gostado? Já me viste chateado e sabes como fico, enfim, mas aquilo foi de mais. O pior é que ainda ficou triste. Triste, imagina! Como se a razão estivesse do lado dela. Não, não, não, não há pachorra. Pronto, estou a ser injusto, claro que há (havia) pachorra. Quanto mais não fosse para ela (para ela havia – há – sempre pachorra). Mas diz lá que não foi de bradar aos céus.

Põe-te a pau, rapaz. E tem cuidado. Às mulheres, ninguém as entende. E então a esta…

Mas eu adoro-a à mesma. É a sorte dela.

 

 
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