Migalhas de pão

Aos pedacinhos parece mais…

Bebezinho… July 13, 2007

Filed under: de Uva — filipe macieira @ 12:10 am

A mãe é uma ranhosa. A sério, vale a pena olhar para ela quando a pinguinha começa a pender daquele nariz sempre tão empinado. Primeiro é o olhar; depois vêm as palavras rápidas e as frases ríspidas; e, finalmente, os insultos. Dentro desta safra, o mais recorrente é o «vai à merda» (atenção, não repitas isto em casa nem na escola).

O papá às vezes tem culpa. Mas é uma culpa mesmo miudinha. É que eu sou tão bebezinho… E não sei o que faço. Aliás, o que não faço – a barba, desta vez. Uma tristeza. E logo num bebezinho tão voluntarioso, que compra prendas e dá beijinhos, e faz suminho e até ajuda a despir (na piscina, por exemplo).

Ó mamã, vá, perdoa o papá. O papá faz a barba. E corre muito para não ficar gordo. E tira os pelinhos para não ficar feio. E estuda para ficar rico e poder dar coisinhas. E até muda os gostos musicais para depois não haver conflito no lar. Essas coisas todas. E a mamã só tem de perdoar. E dar beijas. E abraços. E dormir com o papá (e por aí fora). Sim, sim, sim? É que o papá é tão pequenino, e tão mimalho, e tão, tão, tão, tão bebezinho… :D

 

Xiiiiiii…. July 1, 2007

Filed under: de Uva — Filipa Andrade @ 11:10 am

Já passou um tempão desde que a mamã veio cá, não é? Ficaste com medo daquilo que o papá disse ali em baixo sobre a dúvida? Pensaste que ias ficar no banco? Nada disso… :) Já cheguei, migalhinhas!

Entretanto, o Verão também chegou, mas cheio de chuva. O São João já passou e o papá não trouxe manjerico cá para casa, mas não se livrou de levar umas  marteladas na Avenida. Os meus ranhosamentos estão cada vez menos frequentes. O papá anda cada vez mais amoroso e põe-me mais e mais mimalha.  Depois queixa-se! A culpa é dele, tu bem sabes, não é? Pois olha que num ataque de mimo agudo, a mamã quis duas prendas em dois dias consecutivos. Fiz um pouco de beicinho, dei umas beijocas e o papá deu um frasquinho daqueles onde se faz bolas de sabão. E que lindas que elas são… Estou sempre a procurar a bolinha mais bonita, a maior, a mais colorida, a que voa mais alto. Mas no dia seguinte a mamã fez uma surpresa ao papá. Embrulhou-se só em Minnie e esperou de cabelo molhado que o papá chegasse a casa logo pela manhãzinha. Quando tocou à campainha a segunda prenda vinha embrulhada no meio do seu casaco. É vermelha e preta e muito gira, mas acho que não te posso mostrar…

Mas os últimos dias têm sido engraçados. Não temos tido muito tempo para conviver, mas aproveitamos todos os bocadinhos. Também não te damos a papinha que mereces, mas são coisas que nos ultrapassam. Queres que os papás tenham eurinhos para te comprar coisinhas ou não? Além do que na quarta feira já acaba! E entre piqueniques, idas à praia, passeios e gelados vamos mimar-te muito mais, combinado?

Miminhos na moleirinha, migalhinhas :)  

 

April 15, 2007

Filed under: de Uva — filipe macieira @ 10:21 pm

O papá é feliz. Porque o papá tem uma vida óptima. O papá faz coisas que adora, tem tempo (ou vai tendo, pelo menos) para as coisas mais importantes e tem uma namorada de sonho (sim, já estamos casados mas continuamos namorados). O papá gosta da namorada – e gosta do resto. Mas o ‘resto’ não seria tão bom se não houvesse namorada. Sim, o papá é feliz. Imenso.

E com isto torna-se insuportável cada momento em que a mamã está triste. O papá queria que a mamã partilhasse da sua felicidade; queria que ela acordasse (como ele) todos os dias com um sorriso, que ela se divertisse o tempo todo e que estivesse absoluta e completamente satisfeita com a vida que tem (como ele, aliás).

Diz à mamã para ser feliz comigo, sim? Sim não sim?

 

Ficar March 25, 2007

Filed under: de Uva — Filipa Andrade @ 12:17 pm

Fico.

Fico contigo.

Só contigo.

E com o nosso bebé.

és o meu sapo…

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Gosto, não gosto, gosto, não gosto February 27, 2007

Filed under: de Uva — filipe macieira @ 8:30 pm

Não gosto:

1. Quando a mamã aparece ranhosa no carro antes de irmos passear (o que é mais ou menos que dizer: que se chateie tantas vezes por tão pouca coisa).

2.  Que a mamã não goste da minha equipa de futebol (** *****)  e que queira que nós percamos todos os jogos e que eu jogue mal e que a equipa seja humilhada.

3. Que a mamã tenha tantos pretendentes (porque se alguma vez nos chatearmos ao de leve vão logo cair todos em cima dela e depois reconquistá-la vai ser imensamente mais complicado).

4. Que a mamã tenha tantas vezes de ir fazer chichi.

5. Que a mamã não queira mostrar à mamã dela as prendas que o papá ofereceu (porque coloca sobre mim o perigoso cutelo da srª Guida, que se descobrir vai achar-me um tarado).

6. Que a mamã ache que sou tarado.

7. Que a mamã às vezes duvide de que gosto imensamente dela; e que pense que os atrasos, as dores de costas e os mails falhados (tão pouquinhos…) sejam sinal evidente de que estou a deixar de gostar dela.

8. Que a mamã tenha uns progenitores que me ridicularizam e gozam com o meu carro e com a minha cara (e uma mana que diz que sou «ogre»).

9. Que a mamã seja tão preguiçosa ao ponto de não tratar do filho que teve há coisa de um ano e pouco…

10. Que a mamã não te dê a papa todos os dias.

Gosto:

1. Quando a mamã fica imensamente melosa e me diz coisas fofinhas.

2. Que a mamã seja tão linda; e tenha uns olhos tão bonitos, um sorriso tão grande, uns lábios tão queridos, um queixo tão perfeito, uma pele tão suave e um cabelo tão adorável.

3. Que a mamã seja esteticamente tão apelativa; e tenha um corpo tão torneado, umas pernas tão macias, uma barriga tão fofinha, uns ombros tão delicados, uns braços tão elegantes, umas costas tão magníficas e um rabinho tão jeitoso.

4. Que a mamã tenha um líbido tão grande (um dia explico-te o que é).

5. Que a mamã diga «Eu não sei», enquanto encolhe os ombros e leva o indicador à boca.

6. Quando a mamã conduz, dança, canta ou agita os braços. 

7. Que a mamã seja tão indicada para mim (na medida em que – e apenas porque – é tudo o que eu desejo).

8. Que a mamã me faça coisas fofinhas quando não estou à espera.

9. Quando a mamã diz coisas bonitas acerca do futuro. Eu fico com expectativas. E tal.

10. De ti.

 

O primeiro desenho do migalhinhas February 4, 2007

Filed under: de Uva — Filipa Andrade @ 8:40 pm

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Dez coisas Acerca do Pai January 21, 2007

Filed under: de Uva — Filipa Andrade @ 3:56 pm

Para que conheças muito bem o teu papá, Migalhinhas:

1. Sovina – O pai não gosta muito de gastar euros, essa é que é a verdade. Desde que a mamã começou a namorar com ele, este tem sido um ponto de muito debate. No início eu estranhava, porque adoro comprar coisas, mas entretanto já me habituei. De qualquer maneira, ultimamente tem-se revelado um…

2. Presenteador – Ai tantos presentinhos! O papá dá-me muitos presentes, se bem que muitos nunca são de mais. Para além dos presentes nas ocasiões especiais, há também os presentes em ocasiões ‘quaisquer’. Nesta secção, geralmente o pai desatina um pouquinho e oferece coisas que eu não posso mostrar a mais ninguém, de tão secretas que são (isto remete-nos para um outro ponto que ainda não sei se poderá ser abordado aqui, filhote). Depois ainda há os presentes repentinos, como o de ontem. Aqueles rebuçadinhos coloridos de caramelo…nham nham. Guardei um para ti, Migalhinhas.

3. Reticente auditivo – É uma das minhas grandes mágoas. O papá não gosta de música. Ou melhor gosta, mas só da que provém de uma banda esquisita com um nome duvidoso e que muito dificilmente se considera musical. Dificilmente não. Impossivelmente. A mamã bem tenta. Encaminha-o para música decente…mas nada. Neste capítulo, só consegue acompanhar o meu lado preverso que, por vezes, me conduz para bandas e/ou cantores ‘populares’. Aí ele revela-se muito querido e até me oferece bilhetes, vê lá! Quando cresceres vamo-nos divertir imenso nos arraiais minhotos e não só.

4. Leitor abusivo – Eu sei que ler é bom, aliás, bem sabes que a mamã gosta imenso de ler, mas o pai abusa! Já aconteceu por várias vezes trocar-me por um livro qualquer. E eu fico com  ciúmes, pois claro que fico. Ainda andávamos na faculdade quando o papá preferiu que me sentasse na relva que me ia sujar as calças, ao invés de me emprestar o livrito que estava a ler para não estragar a minha roupa. Eu não o ia avariar, tá?

5. Tiquento – São tantos os tiques, tantos, mas tantos… É o piscar de olho consecutivo, o coçar a testa, os dedos sempre a mexericar… Pois é, ele diz que eu mexerico muito com as mãos, mas já deves ter reparado que ele também as agita ao vento. Numa das primeiras vezes que a mamã viu o papá na rua só o reconheceu por causa das mãos agitadas. Mas o pior mesmo é quando ele está a ver futebol, os tiques redobram. Ai Migalhinhas, espero que nem gostes de futebol… Não pelos tiques, mas porque é um tormento.

6. Compensador – Apesar do futebol e dos livros, e das coisas que o roubam de mim, de nós (não é?), não podemos ficar muito tristes. Porque para além de lhe fazerem bem (ao corpo e à cabecinha -  não o queremos balofo, nem burrinho), o papá compensa bem a dor. Que é como quem diz a angústia da separação. Dá sempre miminhos via sms, via mail, via mms, via telefone, via mensagens telepáticas, de luz, de fumo.

7. Premissador – É tanta premissa que até enjoa. Isso e ideias horripilantes acerca das aulas de substituição. Mas um dia destes ele vai assinar um papelinho a dizer que eu é que tenho razão. Já sei o método persuasivo que vou usar…ihihih. Não te posso contar Migalhinhas, porque ainda és muito bebé. E é aborrecidinho e chatinho muitas vezes quando quer ter razão. Porque não vale a pena. Eu é que tenho sempre sempre sempre a razão do meu lado. Tu já sabes isso, certo?

8. Ranhoso – O papá acha que eu ranhoso em quantidades ainda bastante consideráveis. Mas diga-se de passagem que ele me quer alcançar. Porém, o ranho em si tem uma parte desranhosa que se sobrepõe à outra. E então resulta em milhares de milhões de beijinhos. E beijinhos é bom, não é? Já sabes, sempre que ele quiser ranhosar só tens de lhe dar um beijo bem repenicado na mão.

9. Devoto – A sua devoção a Nosso Senhor está a atingir um nível demasiado perigoso. Não consegue respeitar a minha posição. Porque eu não quero nada, mesmo nada, ser coagida. Mas também já lhe disse. Que se os desígnios do senhor valem pra mim, para ele também. E ainda com mais força. Mas isso temos de discutir depois. Entretanto, Migalhinhas, julgo que te vamos baptizar. Só falta escolher a igreja.

10. Pequenino – Ele julga-se grande mas não é. É pequenino. Mesmo. Tanto que parece uma formiguinha. Embora seja uma formiguinha bastante tarada. Faz coisas que, olhando para a sua carinha de “vendedor de bíblias” (cá está novamente a religião), ninguém imagina. Se um dia isto viesse a público, de certeza seria excomungado. Mas de resto, é mesmo pequenino.
Eu tenho dois bebés. Tu e o papá.
 

 

Dez coisas acerca da mãe January 21, 2007

Filed under: de Uva — filipe macieira @ 2:00 am

Migalhinhas, isto é para ti:

1. Compradora. Queria colocar ’materialista’ mas ficava mal. Como já reparaste, ela gosta imenso de compras. Adora passear pelas lojas e perde-se por camisolas. A crise económica em que Portugal caiu em 2003 não foi superada pelas baixas taxas de juro ou pelo aumento da procura externa, mas sim pelo aumento brutal no Consumo Privado que a tua mãe provocou após a sua ascensão à condição de assalariada. 

2. Manienta. Já reparaste nas manias. Abana as mãos (tu não viste porque quando ela está contigo está sempre a usar as mãos para te aconchegar no colo, mas eu lembro-me bem dela sempre com as mãos a mexericar), coça o cabelo, pergunta se tem comida nos dentes depois das refeições, diz ‘porcosaque’ em vez de ‘porque’, entre outras maluquices. Ah, e também faz muito chichi… Mesmo muito.

3. Expansividade. Fala que se farta: pelos cotovelos, pela boca, pelo nariz, pelas mãos, pela gargante, pela laringe. É expansiva, portanto (expansividade que se alonga a outros domínios, que por motivos de escassez de tempo e papel não vou aqui abordar). E não se cala. O que nem é mau: como sabes o papá também fala muito, e quando começou a namorar com a mamã adorava ficar a falar com ela a tarde toda – a falar na rua, a falar no café, a falar ao telefone, a falar na internet, etc., etc. Os temas, o local e o grau de divergência variavam mas a conversa era constante. A não ser quando havia ranhosice. E isso leva-nos ao ponto seguinte.  

4. Ranho. O ranho provém da ranhosice que de quando em vez assalta a mãezinha. E é fácil de perceber: o olhar preso ao horizonte (ou, alternativamente, fixo no chão – ainda não descobri qual é mais irritante), a boca fechada, as mãos quietas (não te esqueças que as mãos da mãmã estão quase sempre em movimento). As expressões «Está bem», «Sim», «Tu é que sabes», «Sim, gosto de ti», «Não sei, tu é que escolhes» também indiciam ranhosice em aproximação. À ranhosice levada ao extremo chama-se ‘ranho puro’, que é um tipo de ranhosice particularmente verde e irritante. Não leves a mal, aquilo passa rápido.

5. Meiguice. O ranho é chato, mas ela compensa bem. Porque é meiguinha (já reparaste, não é? Às vezes quando te dá demasiada atenção confesso que fico um bocadinho ciumento), carinhosa e fofinha. É uma ternura de rapariga (não lhe digas que já é mulher, que ela pode ficar chateada; e a verdade é que ainda tem aquela carinha de menina).

6. Vesguice. Pois é. Tem bom coração, é uma jóia de pessoa e trata bem as crianças e velhinhos mas a verdade é que está sistematicamente do lado errado da barricada. E nisto engloba-se muitas coisas: as suas opiniões acerca do salário mínimo nacional, o regime de registo bolseiro, o enquadramento do Quadro Comunitário de Apoios, a questão dos subsídios. Um dos pontos em que a mamã é mais inflexível é nas aulas de substituição. Também já reparei que te ris quando nos vês a discutir, e que achas muita piada às minhas ‘premissas’ mas que, apesar de parecem ridículas, têm até algum fundamento. Tenta ser mais discreto, está bem? Senão ela chateia-se. E lembra-te do ponto 4.  

7. Ateísmo desregrado. Não há nada a fazer, a mamã não tem respeito algum por Deus e pela Sua Obra. Eu já lhe disse que Ele não gosta que lhe desobedeçam. E que pune aqueles que infringem a Sua Lei. Mas ela teima e insiste em não satisfazer a Sua vontade. Não compreende que somos meros bonecos de engonços nas suas mãos. Nesssas alturas apetece-me evangelizá-la à força: entrar no quarto e exercer coacção até que ela aceite submeter-se à Palavra do Senhor. Até hoje não tive sucesso, mas desconfio que o sucesso está para breve.

8. Falta de educação selectiva. A mamã é simpática mas às vezes tem ataques. Não acontece tanto quanto antes, mas ainda tem dias. O pior foi na faculdade, quando despachava sucessiva e constantemente pretendentes (ela tinha uma lista interminável) com recurso a um conjunto de comportamentos/frases pouco educados. Exemplos há muitos, e quando a mãe está a querer afastar alguém diz algo do género: «Está bem», «Preciso de ir à casa de banho», «Está bem, mas não era preciso telefonar para dizer que me amas», «Foi bom o esforço», «Tá», «Ok», «Ca paneleiro…», etc.

9. Pequeninice. A mamã é pequenina. Mas mesmo. Mesmo pequenina. Como uma menina pequenina. Já é adulta, já trabalha, já faz coisas de gente grande, mas continua pequenina. E tão linda…

10. Impoluta. A mãe é de uma pureza extraordinária. Apesar de fazer coisas. E apesar de certos e determinados adereços. E apesar de certos e determinados sons em certos e determinados sítios durante certas e determinadas actividades. E apesar de muitas outras coisas. É uma pureza especial:).