Migalhas de pão

Aos pedacinhos parece mais…

VVVVVVVVVVUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMM! March 22, 2009

Filed under: de Forma — filipe macieira @ 7:03 pm

Migalhinhas! Há quanto tempo não nós víamos! É verdade, já passaram muitos meses. O papá foi trabalhar para um sítio longínquo e enorme. Chama-se Lisboa. É uma cidade como Braga mas com mais lojas de brinquedos e mais carros. As pessoas são iguais mas são em maior número.
É mais ou menos como passar da 4ª classe para o 5º ano: de súbito vês que aquilo que te parecia grande é, afinal de contas, muito pequenino.

Eu sei que tens saudades. A mamã diz-me todos os dias que quer que eu volte. Mas para já  não pode ser. O meu trabalho está aqui. É uma coisa cansativa mas engraçada. Se quiseres saber o que faço, podes abrir um jornal todas as manhãs e ler lá o meu nome. É verdade,  eu escrevo num jornal. São coisas muito patetas e das quais não ias querer saber, porque
envolvem dinheiro e trabalho e essas coisas chatas com as quais só os adultos se preocupam.

Mas é uma coisa a prazo, vais ver. Agora tem de ser, porque não tenho mais nada que fazer. Mas, prometo, mal encontrei outra coisa da qual possa extrair dinheiro para te comprar fraldas e leite Agros, zarpo e vvvvvvuuuuuuuuummmmmm! Vou para pertinho de ti outra vez. Este
vvvvvvvuuuuuuuuummmmmmmmmmm! é para ser lido como o som de um passarão a bater as asas e a  ir ter com o filhote. Como se fosse o Zorbas e tu a cegonha.

E quando puder ir para aí vai ser tudo melhor. Vou deixar de perder tempo em viagens, vou poder dar-te a papinha todos os dias e passear contigo. Ah, e vai haver beijinhos. De vez em quando, porque também tenho de dar miminhos à mamã (ela tem outro nome para isto: amorosices). Senão ela arrelia-se, eriça o pêlo todo, cerra os dentes e os punhos e faz: nnnnnnnhhhhgggggggggggggg!!!!!! É muito mau de se ver.

E agora, hora de dormir. Vá, xixi cama!

 

alimento, alimento! November 3, 2008

Filed under: de Forma — filipe macieira @ 8:35 pm

Já passaram quase sete dias desde que quase efectivamente chegámos ao final das vias. Mas, não obstante todo o tormento, eu continuei a ser um jumento. Estava chateado com a situação, mas apesar de cansado do coração, abdiquei de qualquer lamento, a chorar empenhei o todo o meu dinheiro e vinte e uma rosas vermelhas enviei sem pestanejar. E muito mais quereria eu dizer, assim a escrever, sem fenecer, mas o urgir do tempo e o peso das horas, o meu andar lento e o a língua que devoras, incitam-me a ir para a residência provisória, mas pensando em ti de forma meritória!

 

* October 26, 2008

Filed under: de Forma — filipe macieira @ 2:26 pm

não tem de ser triste. às vezes o tempo parte. nós ficamos.
vemo-lo ao longe, afasta-se devagar, e não tem de ser triste.

hoje, eu caminho na direcção do passado. tu caminhas para
o futuro. a noite. depois desta noite, para mim, será ontem.

depois desta noite, tu estarás em amanhã. sabemos que haverá
muitas noites. haverá dias, meses e anos que atravessaremos.

atravessei muitos anos, direi. atravessarei muitos anos, dirás.
sabemos que o passado e o futuro são caminhos que se cruzam.

não tem de ser triste. talvez eu te encontre num dia em que eras
muito nova, uma criança. talvez eu sorria. talvez tu sorrias.

talvez tu me encontres num dia em que eu seja já muito velho,
sem esperança de te voltar a ver. talvez eu sorria. talvez tu sorrias.

não tem de ser triste. vamos separar-nos agora. este instante,
agora, será o teu passado. este instante, agora, será o meu futuro.

(Não deviar ter de ser triste. Mas é tão triste…)

 

Dias que vão vir April 23, 2008

Filed under: de Forma — filipe macieira @ 2:20 am

Sei que não vais ver mas ainda assim vim cá. É noite, noitinha, estou sozinho e sei que não vais ver. Talvez vejas depois, muito tarde, muito depois, porque já não vens cá. Abandonaste-o. Deixaste-o ganhar pó e agora está sozinho. Como eu. Agora precisava de ti. Precisava dos teus beijos e dos teus abraços. E dos teus olhos e das tuas mãos a abanar constantemente. Quando leres isto, já terá tudo passado. Mas era agora que eu precisava de ti. Tenho saudades.

 

«Olá… Olá… Olá… Olá…» March 19, 2008

Filed under: de Forma — filipe macieira @ 11:46 pm

Migalhas, migalhinhas! Pensaste que o papá te tinha deixado? Nada disso. O papá esteve um pouquinho ausente, mas claro que não ia deixar a criança sozinha. O papá está aqui. Veio dar um beijinho. É dia do pai, não podia deixar de vir ter contigo, não era? Deixo-te um beijinho, sim? Dá-o à mamã. Ela tem andado chateada. Coisas de mulheres. Enfim.

Vou fazer-te uma proposta. Eu faço-te uma coisa e tu dás-me uma prenda. Sim, sim, sim, sim? [Se quiseres dizer que sim, abana só a cabeça, morde o lábio e mexe o dedo, como quando a mamã faz «não não» na webcam]. Perdoas o papá da ausência demorada? Por favor… tu és pequenino, ainda não sabes como eu estou ocupado. Entendes, não entendes? Tu és um bebé. Muito grande, mas muit bebé. Sim, sim, sim?

Vá. Beijinhos e cama. Agora deixas-me a sós com a mamã, sim? Eu gosto de ti… :)

… E de ti… :)  

Remember, remember, the 19th of September

When I left my lonely prision and kissed her a lot

And I know any good reason

Why the breakin’ of that prision

Should ever be forgot

In that distant dark night

She looked like a queen 

And has I hold her tight 

I thought my love I had seen

Just one more kiss and I was going nuts

But now it’s the day

Of the two little ducks!

 

Super Tuesday February 5, 2008

Filed under: de Forma — Filipa Andrade @ 10:55 pm

Super super, vá… Não foi super. Mas foi boa.

E quando é pouquinho é bom.

Tipo SunQuick.

Muito doce e concentrado.

E então hoje o pai enganou a mamã. Disse que já eram horas de ir embora e houve mais e mais beijocas. E afinal não! Ainda valtava um tempão grande. E foi bom outra vez.

 Tantos is [eee]!!! Agora que releio o que escrevi… tenho de aprender outras conjunções! Ajudas a mamã?

 

Ontem February 4, 2008

Filed under: de Forma — Filipa Andrade @ 10:41 pm

Já não era ontem há muito tempo.

Mas ontem foi tão assombroso que já não sei quando foi.

Acho que foi ontem.

E depois ia haver muitos mimos.

Acho que merecia.

Só que não houve.

Se calhar não foi ontem.

Já não sei.

 

Beijinho no pé September 29, 2007

Filed under: de Forma — filipe macieira @ 12:38 am

… mas de outro ponto de vista.

Sente-se a mão

bem juntinho à perna

o nariz é um mimo

e aproximam-se os lábios

Devagarinho

Ai que bom que é

Sente-se um beijinho

Na pontinha do pé!

Não tenho criatividade

Não chega para te alegrar

E então, para compensar,

Ponho o poema a rimar!

 

Beijinho na testa September 29, 2007

Filed under: de Forma — Filipa Andrade @ 12:26 am

Afasta-se o cabelo

com a mão direita

O cabelo cheira bem

Aproxima-se os lábios

Devagarinho

Como se fosse a moleirinha

de um bebé

Encosta-se o beijo

a testa sorri.

 

Queixinhas August 27, 2007

Filed under: de Forma — Filipa Andrade @ 11:27 pm

O papá não deu um torrão à mãe.

Eu estava mesmo com vontade de comer um, ou dois, porque aquilo vem numa caixa de 6. Uma caixa não, um pacote. E é mesmo barato, 99 cêntimos num dos supermercados mais baratos da região. E o papá, nicles. E eu pedi bastante e ele a fazer de conta q eu estava a ser mimada. Mas não estava. Eu queria um torrão porque gosto muito e seria o meu lanche, já que adivinhava uma tarde atribulada. Porque o papá quis levar-me para um sítio escuro e feio. Como umas catacumbas onde não se pode fazer barulho nenhum, e se alguém nos descobre há sarilhos dos grandes. E eu sabia que no final da nossa estada lá teria fome. Já não é um cavalheiro para oferecer a paparoca.

O pior é que adquiri os ditos torrões. Os seis. E não consegui deixar o papá à fome. E dei dois dos seis. O que faz quatro. Menos dois que eu também comi. Já só tenho dois. Dá-me torrões…