Estava um calorzinho mesmo agradável. Além disso fazia vento, o que era bom para espantar o suor. Mas o vento não era suficiente para ela põr a camisola. Notava-se não queria. Já devia vir assim de casa e não queria estragar a imagem. Estava lá no meio, recatada, a olhar para o chão, com aquele sorriso sempre quase quase quase a aparecer no meio da cara (mas apenas nos cantinhos da boca). Na altura parecia que estava a pensar em coisas de meninas. Se calhar, e pensando agora em retrospectiva, talvez estivesse a pensar num rapaz. Mas pronto, já lá vai.
- Olhos no chão!
Pois é, mas ela continuava a olhar a rir-se. E de vez em quando trincava a língua. Que menina marota. Devia apanhar um beijinho. Com aquele cabelo a ondular, com aquele lábio a ser trincado, com aquele olhar tão cativante, era o que apetecia fazer. Mas pronto. Ela era assim.
- Olhos no chão!
Mais uma vez. E agora, bem pertinho de mim, assim como que a fugir à multidão de crianças para ter um tempo para poder deixar cair a máscara e voltar à terra:
- Fogo, são uns chatos…
- É…
(aqui via-se o meu interesse em falar com a personagem)
- E aquela p*** já me está a chatear os nervos…
- Qual?
(enquanto espreitava por cima do ombro de um outro personagem, mas alto e igualmente mais gorduroso)
- Aquela
- Ah… aquela…
E foi assim que eu a vi pela segunda vez. Ainda não sabia o nome. O primeiro nome que soube foi aquele nome feio. Por isso é que às vezes há tendência para voltar a ele…