Migalhas de pão

Aos pedacinhos parece mais…

Beijinho no pé September 29, 2007

Filed under: de Forma — filipe macieira @ 12:38 am

… mas de outro ponto de vista.

Sente-se a mão

bem juntinho à perna

o nariz é um mimo

e aproximam-se os lábios

Devagarinho

Ai que bom que é

Sente-se um beijinho

Na pontinha do pé!

Não tenho criatividade

Não chega para te alegrar

E então, para compensar,

Ponho o poema a rimar!

 

Beijinho na testa September 29, 2007

Filed under: de Forma — Filipa Andrade @ 12:26 am

Afasta-se o cabelo

com a mão direita

O cabelo cheira bem

Aproxima-se os lábios

Devagarinho

Como se fosse a moleirinha

de um bebé

Encosta-se o beijo

a testa sorri.

 

Oh, lê, lê! September 27, 2007

Filed under: Biju — filipe macieira @ 7:55 pm

Estava só a brincar. Agora vá, veste-te, lava os dentes e despacha-te a ir ter comigo. Estou cá em baixo. Trago beijinhos nos lábios e abraços nos braços. Aparece bonita. Leva o cabelo solto. E dá-me um beijo logo que me vejas. Já não é a primeira vez que nos vemos hoje mas finge que é. Sabe bem na mesma.

Agora pronto, não percas mais tempo. Desce. Anda ter comigo.

Rápido!

 

Dia um September 20, 2007

Filed under: de Deus — filipe macieira @ 11:49 am

Menina bonita, do meu coração,

Não sei rimar, nem sei poemar,

Por isso aceita este verso burlão 

De um rapaz totinha que te quer adorar*

Os dias que passam e estão a passar

Têm sido chatos, são só ranhosamento

Mas eu não quero disto, só quero adorar

A menina bonita ao lado da qual eu pareço um jumento!

Está bem que a rima é fraca e sai um pouco puxada

Mas sabes que sou trengo e bastante limitado

Por isso não melgues, nem me chames melado

Que senão eu não gosto e depois não dou palmada!

Agora, vá lá, já está tudo melhor

Desliga o pc e destapa a jugular

Levanta-te e beija-me, prepara-te então,

Vamos para o quarto e toca a brincar! :D

 Beijinho bom… :P

*adorar assim, assim [gesto de adoramento dos deuses] 

 

Aninhos! September 12, 2007

Filed under: Integral — filipe macieira @ 1:10 am

A mamã faz anos hoje! Agora, agorinha, daqui a nada. São 00h49, e às 4h40 a mãe fica, oficialmente, com uma completa porção de anos – o suficiente para encher duas mãos e, quiçá, o bastante para livrá-la de dissabores com vendedores suspeitos.

As prendas ficam para depois. Por agora, vamos a outras coisas. Falta a data (que não marquei), mas o que importa está lá. Beijinhos, mamã.

Hoje acordei cedo, como de costume. Não é complicado; aliás, sábado é o único dia em que não me custa acordar antes de o sol estar a brilhar com força. Há sempre aquele incentivo especial de ir dar uns pontapés na bola, correr e estar com os amigos. O ritual, aliás, é sempre o mesmo. Acordar, levantar, desligar o despertador, calçar os chinelos, espremer o sumo, metê-lo na garrafa, fazer o pão, o café, meter o açúcar no iogurte, comer, lavar a cara, vestir, arrumar a mochila, sair. Não necessariamente por esta ordem.

Hoje (na verdade é ontem: estou a escrever já depois da meia-noite) fiz sumo de laranja, como de costume. É a melhor parte da manhã (melhor até do que quando o bebo, embora acerca disso possa haver desacordo). A máquina faz aquele brrrrrrrrr, brrrrrrrrrrrrrr, brrrrrrrrrr… E a cozinha está praticamente sozinha: resto eu, as laranjas (que passam os seus últimos momentos comigo) e o espremedor. E eu fico a pensar em ti. Hoje-ontem pensei em ti. Muito. Estavas gira; vá, bonita é mais correcto. Os cabelos encaracolados, os olhinhos castanhos, as mãos irrequietas, os ombros delicados. Já lá vai tanto tempo que os vi pela primeira vez!… E eles continuam bonitos. Mantiveram o brilho mas ficaram meus conhecidos. Antes apreciava-os à distância – agora posso segredar-lhes coisas; antes só podia olhá-los – agora não passo sem os tocar.

Se calhar não devia estar a perder-me com estas coisas. Se calhar, em vez de estar para aqui a escrever tolices (pareço uma criança, raios) devia ir ter contigo e olhar para ti; com um bocado de sorte até me deixavas tocar o teu corpo, que nos últimos tempos me tem ocupado a cabeça. É pena já ser tarde. Eu disse que queria ir aí ter contigo. E tu disseste que não. Porquê, por que é que não me deixaste ir aí? Era tão necessário, tão absolutamente necessário. É que tem sido complicado, todos estes dias com chatices, sempre zangados, sempre ranhosos. Chego a ficar triste e, depois, chego a escrever estas patetices. Podias ter-me deixado ir ter contigo. Depois não vou querer. Depois vamos chatear-nos e tu vais perder o brilho, os teus ombros vão ficar mais baços, os teus olhos vão secar e as tuas mãos vão parar de se mexer. Eu não quero assim, os últimos dias já têm sido baços que chegue.

(Já passaram alguns meses depois disto; não perdeste o brilho. E eu estou contente. E tu continuas linda).