Migalhas de pão

Aos pedacinhos parece mais…

Queixinhas August 27, 2007

Filed under: de Forma — Filipa Andrade @ 11:27 pm

O papá não deu um torrão à mãe.

Eu estava mesmo com vontade de comer um, ou dois, porque aquilo vem numa caixa de 6. Uma caixa não, um pacote. E é mesmo barato, 99 cêntimos num dos supermercados mais baratos da região. E o papá, nicles. E eu pedi bastante e ele a fazer de conta q eu estava a ser mimada. Mas não estava. Eu queria um torrão porque gosto muito e seria o meu lanche, já que adivinhava uma tarde atribulada. Porque o papá quis levar-me para um sítio escuro e feio. Como umas catacumbas onde não se pode fazer barulho nenhum, e se alguém nos descobre há sarilhos dos grandes. E eu sabia que no final da nossa estada lá teria fome. Já não é um cavalheiro para oferecer a paparoca.

O pior é que adquiri os ditos torrões. Os seis. E não consegui deixar o papá à fome. E dei dois dos seis. O que faz quatro. Menos dois que eu também comi. Já só tenho dois. Dá-me torrões…

 

Rude do Campo August 27, 2007

Filed under: Rústico — Filipa Andrade @ 11:06 pm

O Papá é rude do campo

Mas nunca teve sarampo.

A sua pele é bem rugosa,

E em certas zonas gordurosa.
 A sua unha do pé

Contou-me certo dia

Que teve por companhia

Uma micose bebé.
 No cabelo tem caspinha

Mas não é da branquinha!

Já pensei para mim (fechando o sobrolho)

“Será algum piolho?”
As costas são dolorosas

Como espigas sabogosas

Mas nas pernas não depiladas

Faz rastas concentradas.
Como o rabo acompanha as pernas

O homem parece um urso.

Mas compensa este problema

Com veet creme pelo dorso.
Por hoje já chega de rimas

Está um resumo bem feito.

So falta falar da outra zona rapada

Para ser perfeito.

 

Nanananana… August 11, 2007

Filed under: Rústico — filipe macieira @ 7:22 pm

Amor, tenho uma música nova…

Oh, não… Foste tu que inventaste?

Sim!

Oh, então é que não quero mesmo ouvir!

Mas é tão gira! Vê, vê!

Não é ver, é ouvir, e já disse que não quero ouvir…

Olhooooooooooooooooos de águaaaaaaa, a liberdade ecoa nos meus olhooooooos!… Ela grita em gonzos de repolhos!… E, loucura, uma tonsura, são trambolhos, os meus olhos… Porque, porque, tu hás-de ter liberdaaaaaade para lutaaaar!… Liberdaaaaade para ganhaaaaa!… E, acima de tudooooo… Liberdade p’ra ensinar… E, também, ser ensinado, num Ensino Superior, que é educador, e que é ganhador, e que é tradutor, e que é lenhadooooooor!

Não! Não! Não, não, não, pára, pára, por favor, por favor!… Isso é horrível!

Oh, não é nada; é lindo! Fui eu que inventei!

Que totice… Cantas tão mal…

Canto mal? Isso lembra-me uma música que inventei acerca da fraca qualidade contoriesca de muitos músicos…

Oh, não, não, por favor, por favor, não, não!

A qualidaaaaade! A qualidadeeeeee… não, não se dá, não, a qualidade não se dá, a qualidade é uma pá, uma pá, uma pá de qualidade, toma cá dá cá! E os que dizem o que canto, na música vêem bem, a sublime leveza das palavras, das maravas, das…

Chega! Por favor…

Ó amor, mas eu gosto… [carinha triste]

Mas é mesmo muito mau…

Deixa o bebezinho cantar só mais uma música, sim? Olha, olha: can’t find a better maaaaan, tararararan, tararararan, tararararan, tararararararararan! She loves hiiiiim, she doesn’t want to be this waaaay, she feeeeeds hiiiiim, yeah!, that’s why she’ll be back agaaaaaaaaain… can’t find a better man, can’t find a better maaaaan, nananananan…

[Pode ser sempre assim, só parvo, só palermice? Se eu deixo de ser parvo fico crescido; e quanto fico crescido magoo-te; eu não quero. Sim?]